
Quem nunca sentiu aquele frio na barriga ao chegar em um país vizinho — como Argentina, Uruguai ou Chile — e ter que decidir entre manter o celular em modo avião ou pagar uma fortuna em tarifas de roaming? Para quem viaja a trabalho ou turismo, essa sempre foi uma das maiores dores de cabeça no planejamento da viagem.
A boa notícia é que as conversas sobre o fim das taxas de roaming internacional no Mercosul avançaram consideravelmente nos últimos anos. Mas, afinal, o que isso significa na prática para o consumidor brasileiro?
O que diz o acordo
O projeto visa, essencialmente, a harmonização das tarifas de telecomunicações entre os países do bloco. A ideia central é eliminar as taxas extras que as operadoras cobram quando você utiliza o seu chip brasileiro em redes parceiras nos países vizinhos.
Na prática, a proposta é que o custo de uma chamada ou do uso de dados móveis seja, no futuro, muito mais próximo do que pagamos dentro do Brasil. Isso inclui desde a redução de tarifas até a eliminação completa das cobranças que encarecem a viagem. O mesmo conceito foi implementado na União Europeia já em 2017, quando os custos extras de chamadas, SMS e dados celulares em roaming foram extintos.
Por que isso é importante?
Hoje, quando ligamos para alguém fora do país ou usamos dados para acessar mapas e redes sociais, o custo é repassado via redes de interconexão internacional. Esse processo é o que define o preço da sua ligação DDI.
Com o Mercosul integrado, o objetivo é facilitar não apenas o turismo, mas o comércio e a comunicação empresarial entre as nações. Se você precisa fazer chamadas frequentes ou manter o contato constante com parceiros de negócios na região, essa mudança deve impactar diretamente a sua fatura mensal.
Quando as novas regras entraram em vigor?
A implementação do fim da cobrança de roaming no Mercosul não é simultânea em todos os países, mas já é uma realidade consolidada em 2024 e 2025:
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai: O acordo já está plenamente em vigor. Desde o final de 2023, após a ratificação de todos os membros, as operadoras brasileiras (Claro, Vivo e TIM) já aplicam a tarifa local para viagens dentro do bloco.
Chile: Embora não seja membro pleno do Mercosul, o Chile possui um acordo bilateral com o Brasil que eliminou o roaming internacional desde 25 de janeiro de 2023.
Outros países (Bolívia e Estados Associados): As negociações continuam, mas para estes destinos a recomendação ainda é a contratação de pacotes específicos ou uso de eSIM.
O que fazer enquanto o acordo não é 100% implementado?
Embora o cenário esteja melhorando, ainda é preciso cautela. Se você tem uma viagem marcada para a América Latina nos próximos meses, aqui estão três dicas de ouro:
Verifique o plano da sua operadora: Muitas operadoras brasileiras já oferecem pacotes específicos "América Latina" que, embora não sejam gratuitos, custam uma fração do roaming padrão.
Considere um eSIM: Se o seu aparelho for compatível, essa tem sido a maneira mais eficiente de evitar surpresas na conta. Você contrata um pacote de dados local sem precisar trocar o chip físico.
Use serviços de chamadas via Wi-Fi: Se você não precisa de um número local para receber ligações, aplicativos de mensagens e chamadas via Wi-Fi (Wi-Fi Calling) ainda são a forma mais econômica de comunicação internacional.
Qual o próximo passo?
Estamos acompanhando de perto as decisões da Anatel e dos órgãos reguladores dos países vizinhos. O processo de "desroaming" é gradual, mas a tendência é que as barreiras de comunicação entre o Brasil e seus vizinhos se tornem cada vez menores.
Enquanto a regra final não entra em vigor, não esqueça de conferir os códigos de discagem internacional antes de completar suas chamadas. Você pode consultar o código DDI de qualquer país aqui na nossa ferramenta.
Fique ligado para mais atualizações sobre a questão do roaming no Mercosul, Tatiane




