Internet06 de março de 2026Tatiane Santiago

Fim do 3G e a expansão do 5G+ no Brasil: O que muda em 2026?

Smartphone mostrando sinal 5G+ em São Paulo
Imagem de celular 5G+ gerada por IA

As três maiores operadoras do Brasil — Vivo, Claro e TIM — estão acelerando o desligamento das redes 3G em diversas regiões do país. O objetivo é liberar frequências para expandir o 5G+ (Standalone), a versão completa da rede 5G que funciona com infraestrutura própria.

Na prática, isso significa duas coisas: quem tem celular moderno vai perceber a internet ficando mais rápida. E quem ainda depende de aparelhos antigos ou equipamentos com chip 3G pode ter problemas.

O que é o 5G+ e por que ele é diferente?

Quando o 5G chegou ao Brasil em 2022, a maioria das conexões usava o chamado 5G DSS — uma versão que reaproveitava as antenas do 4G para simular uma conexão mais rápida. Era um começo, mas não entregava tudo o que o 5G prometia.

O 5G+ (também chamado de 5G SA ou Standalone) é diferente: ele usa antenas dedicadas, construídas exclusivamente para essa tecnologia. O resultado é uma conexão que pode ultrapassar 1 Gbps de velocidade e entregar uma latência na casa dos 10 milissegundos — números que rivalizam com a fibra óptica residencial.

Para identificar se o seu celular está conectado ao 5G puro, olhe para a barra de sinal. Ele deve mostrar 5G+, 5G SA ou 5G UW. Se aparecer apenas "5G", pode ser a versão mais antiga e mais lenta.

Quer saber a velocidade real da sua conexão agora? Faça o nosso Teste de Velocidade gratuito.

Onde o 5G+ já funciona e o que vem pela frente

Segundo as metas do edital da Anatel, até meados de 2026, todas as cidades brasileiras com mais de 30 mil habitantes devem ter cobertura 5G ativada pelas operadoras vencedoras do leilão. Isso representa uma expansão significativa para o interior do país, onde até pouco tempo atrás o 4G era o máximo disponível.

Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba já contam com cobertura 5G+ relativamente ampla. A novidade em 2026 é a chegada dessa tecnologia a cidades médias — um movimento que depende do reaproveitamento das frequências que hoje ainda são ocupadas pelo 3G.

Meu celular antigo vai parar de funcionar?

Não há motivo para pânico, mas é importante entender o cenário.

Se o seu celular foi fabricado antes de 2018 ou 2019 e depende exclusivamente da rede 3G para acessar a internet, sim — a navegação ficará cada vez mais instável nas regiões onde as antenas 3G forem desativadas. Em áreas urbanas, esse processo já está em andamento.

Para ligações de voz, o impacto é menor. A maioria dos celulares ainda alterna automaticamente entre 2G e 4G para realizar chamadas, mesmo quando a rede 3G é desligada. Mas se o seu aparelho é muito antigo e não suporta VoLTE (voz sobre 4G), pode haver quedas em chamadas.

Se você não tem certeza se o seu celular suporta 5G, uma boa forma de verificar é procurar nas configurações de rede móvel ou consultar o modelo na ficha técnica do fabricante.

O impacto que ninguém está falando: maquininhas e rastreadores

O desligamento do 3G não afeta apenas celulares. O maior problema silencioso está na Internet das Coisas (IoT): milhões de maquininhas de cartão, rastreadores veiculares e sensores industriais no Brasil ainda operam com chips 2G e 3G do tipo M2M (Machine to Machine).

Com a desativação das redes antigas, esses equipamentos simplesmente param de se conectar. Para lojistas, isso significa que aquela maquininha mais antiga pode deixar de processar pagamentos. Para transportadoras, os rastreadores de frota podem perder o sinal.

A recomendação para empresas é verificar com urgência quais equipamentos dependem de redes 2G ou 3G e planejar a substituição antes que a cobertura seja interrompida na sua região.

Como saber se estou no 5G puro?

Dois detalhes que muita gente ignora:

  1. Verifique o ícone na barra de status: O 5G puro aparece como 5G+, 5G SA ou 5G UW no celular. Se mostrar apenas "5G", provavelmente você está no 5G DSS, que é mais lento.

  2. Troque o chip se necessário: Muitas pessoas compraram um celular 5G mas ainda usam um chip (SIM card) de 5 anos atrás. Para acessar a rede 5G+ em toda a sua capacidade, você pode precisar de um chip atualizado — e isso costuma ser gratuito nas lojas da operadora. O eSIM também é uma alternativa cada vez mais prática, especialmente para quem viaja ou gerencia mais de uma linha.

O que fazer agora

Se o seu celular é recente (2020 em diante) e suporta 5G, provavelmente você não precisa fazer nada além de manter o chip atualizado e o sistema operacional na versão mais recente.

Se o seu aparelho só funciona em 3G, vale começar a considerar uma atualização. Não precisa ser agora, mas o prazo está encurtando — especialmente se você mora em capital ou cidade grande, onde o desligamento acontece primeiro.

E para empresas que usam maquininhas, rastreadores ou qualquer equipamento com chip M2M, o momento de agir é agora.

Revisão Técnica — Conselho Técnico DDI-DDD: "O refarming de frequências é a peça-chave dessa transição. Quando uma operadora desliga a rede 3G na faixa de 850 MHz ou 1900 MHz, ela ganha espectro limpo para alocar ao 5G NR ou ao 4G LTE-Advanced. Para o usuário final, isso se traduz em melhor cobertura indoor e velocidades mais consistentes, especialmente em áreas de alta densidade urbana. O ponto de atenção são os dispositivos IoT legados: estima-se que ainda existam mais de 10 milhões de chips M2M em 2G/3G ativos no Brasil, e a migração desse parque instalado é um desafio logístico que vai se estender até 2027."


Este conteúdo foi validado tecnicamente para garantir a precisão sobre a infraestrutura de telecomunicações e as metas regulatórias da Anatel vigentes em março de 2026.

Gostou do artigo? Compartilhe:

Tatiane Santiago

Tatiane Santiago

Colaboradora Editorial

Economista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em tendências mobile e mercado de telecomunicações. Tatiane monitora as principais movimentações das operadoras e lançamentos de dispositivos, oferecendo uma visão clara e direta sobre o impacto das novas tecnologias no consumo digital.

Revisão Técnica: Conselho Técnico DDI-DDD

Artigos Relacionados